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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Sobre os direitos humanos


Você, que se julga racional e minimamente inteligente, leia o texto a seguir. Você que gosta de falar mal dos "direitos humanos" mas não sabe o que é ou você que acha que os "direitos humanos" são para bandidos, esse texto é para você. 

"Direitos Humanos: defensor de bandido?  

 Para responder a questão acima é importantíssimo compreender o golpe militar ocorrido no Brasil e a imagem que criaram sobre as pessoas da sociedade civil que se organizavam naquela época na defesa dos direitos humanos.

Em 1964 os militares aplicaram o golpe militar, impuseram ordens e, inspirados na Doutrina da Segurança Nacional, instalaram a ditadura. Desde o início da década de 1960 a população começou a exigir seus direitos que até então eram desrespeitados pelo Estado brasileiro. Exigiam também que o Estado respeitasse os direitos já conquistados desde o início da República.

Apesar do fim da ditadura militar, em 1985 e, do restabelecimento da democracia, a experiência da ditadura deixou marcas inesquecíveis na sociedade.

Durante o tempo em que governaram, os militares procuraram rotular negativamente todos aqueles que defendiam as pessoas ameaçadas e perseguidas ou presos políticos pelos aparelhos repressores do Estado - entre eles, lideranças sindicais, políticas, religiosas e estudantis -, dizendo que eram ''defensores de bandidos''.

Terminada a ditadura, cessaram aquelas práticas. No entanto, persistiu o rótulo sobre os que se posicionam favoravelmente aos Direitos Humanos: tais pessoas são equivocadamente confundidas como aqueles que defendem presos e bandidos.

Ainda hoje é comum vermos parte da imprensa e da sociedade se referirem às pessoas que participam de alguma entidade de Direitos Humanos como ''defensores de bandidos'', sem que o sejam de fato e de direito.
É líquido e certo que toda e qualquer pessoa que comete delitos deve ser punida, e não só o pobre ser preso e punido como acontece no Brasil. Mas toda e qualquer pessoa: rico ou pobre, senador ou deputado, ministro ou secretário, governador, prefeito ou vereador, policial ou cidadão comum, juiz ou promotor. Todos, absolutamente todos.

O que os movimentos de Direitos Humanos condenam é a prática da tortura nas prisões, método comumente utilizado pela polícia para obter confissão. Isto sim é condenável. Nenhuma tortura se justifica para obter confissão. Condenar a tortura não é defender bandidos. Quem pratica a tortura pode estar sendo mais criminoso que o próprio preso considerado bandido.

O preso, pelo fato de estar algemado, não tem como se defender, e tudo que porventura vier a falar pode pesar contra ele mesmo.

Os defensores de direitos humanos defendem as liberdades individuais; o direito à vida; a segurança; a igualdade de tratamento perante a lei; o direito de propriedade; o direito de ir e vir; o direito à saúde; a educação; a moradia; o trabalho; o lazer; os direitos trabalhistas; não sofrer qualquer tipo de tratamento cruel; não ser torturado; ser atendido e não discriminado nos hospitais. Os defensores também não defendem o criminoso, o bandido, o assaltante, o desvio de recursos públicos de qualquer natureza e por qualquer pessoa, as más administrações públicas, as mentiras...

Pode-se perceber que o preso nem aparece como prioridade dos movimentos de Direitos Humanos. É como se fosse uma gota em um copo d'água. Ele aparece quando seus direitos constitucionais de não ser torturado são violados e, mais ainda, quando a denúncia de tortura chega ao conhecimento da sociedade."

Por Clóvis Pereira (disponível em: http://www.mndh.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1500)

E aí? Será que você deu um basta na sua ignorância? Será que após esse texto você conseguiu perceber que a sua busca por vingança ou uma resposta imediata a violência em todo país não precisa crucificar os "direitos humanos"? Como espera mudar um país se você nem mesmo sabe do que está falando mal?

Você sabia que as bandeiras principais dos direitos humanos no Brasil são a violência contra crianças e adolescentes, pessoas com deficiência, pessoas idosas, mortos e desaparecidos políticos, direitos de LGBT, minorias, combate a violações e combate ao trabalho escravo? Não? Então acesse o site do governo sobre isso: http://portal.sdh.gov.br/ Criticar direitos humanos é fácil mas tenho certeza que a maior parte dos que reclamam disso nem mesmo um dia entraram neste site.

Outros links que podem ajudar vocês a descobrirem o que, de fato, são os direitos humanos:

http://www.mndh.org.br/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Direitos_humanos

E, por fim, a declaração universal dos direitos humanos:
http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm

Tendo tudo isto em vista, agora podemos discutir sobre esta questão. Agora poderemos observar e criticar de forma realmente ética e racional. 

O que tem de errado nesse país é o comodismo da população. E isto se nota facilmente, é só observar o discurso vazio daqueles que se julgam intelectuais e críticos do sistema mas não buscam nenhum conhecimento para defender suas bandeiras. É nisso que o governo ganha, são essas pessoas que tem acesso a informação e ao conhecimento, as quais poderiam discutir e se mobilizar para melhorar a situação crítica da desigualdade social que vivemos, são exatamente essas pessoas que se transformam em apenas acomodados que não conseguem sair da sua própria zona de conforto. Mais fácil criticar aquilo que todo mundo critica sem nem mesmo saber, não é? Reflitam.

Já até vi algumas pessoas dizerem: "Esses direitos humanos tinha que ser revogados, só defendem o que não presta". Pois é. Triste, apenas isso.

Deixo dois links de textos muito interessantes para vocês lerem também. Acho que pode ser importante, principalmente para aqueles que odeiam os "direitos humanos".

http://www.cartacapital.com.br/politica/direitos-humanos-para-humanos-direitos
http://www.espn.com.br/post/325303_2014-a-copa-que-o-brasil-ja-perdeu
http://revistaforum.com.br/blog/2013/04/razoes-para-nao-reduzir-a-maioridade-penal/

Grande abraço e boas reflexões.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Norte e Nordeste


Música simplesmente genial, merece completo destaque.

terça-feira, 2 de abril de 2013

E aí?


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sobre o diálogo, diferenças e transformação

            A educação é um conceito fundamental na construção de uma sociedade. Toda civilização humana necessita de formação de indivíduos visando à realização de papéis diferenciados que em conjunto formem um organismo que funcione bem. Entretanto, enfrentamos problemas profundos na distribuição dos ganhos dessas produções, desde financeiros a própria difusão do conhecimento. Nos moldes sociais da atualidade, dificilmente teríamos um panorama mais igualitário possível, justo e ético. Há diversas formas de mudanças, nenhum paradigma é eterno e as evoluções das civilizações humanas nos mostram que a transformação de conceitos e visões é possível, ainda que lenta. Neste cenário, a educação se torna uma ferramenta forte para essa transformação.

            A educação popular apresenta-se como uma oportunidade de quebrar barreiras impostas pelo tradicionalismo histórico das instituições que trabalham com este pilar da sociedade. Ainda vivemos na época em que essas instituições, como escolas, são extremamente tradicionais e não se adaptam a realidade e as variações existentes na sociedade. O “popular” não é usado como deveria neste tipo de instituição. Dificilmente o que o povo conhece é realmente usado como gênese de um pensamento crítico e discussões importantes para a formação de cidadãos. Antes de entrar na discussão de como uma educação popular pode ser fundamental para a construção de novos paradigmas interessantes, é necessária uma pequena, mas importante reflexão do que a escola, que usaremos como base deste trabalho, representa nos dias de hoje.

            O principal objetivo da escola atualmente é a formação de indivíduos com um mínimo conhecimento de disciplinas obrigatórias seguindo os mesmos moldes tradicionais europeus de séculos passados. Ainda corre em paralelo a preocupação na passagem do vestibular, como uma chance única e principal de dar forças à velha expressão popular: “ser alguém na vida”. De fato, receber ensinamentos é base para “ser alguém na vida”, mas que tipo de “alguém” e que tipo de “vida” a escola atual objetiva? Como postulado por Althusser, a escola é um aparelho ideológico do Estado e cumpre aquilo que as camadas que estão no poder determinam, favorecendo o funcionamento de seu próprio ciclo de interesses. Ainda que continuemos vivendo em uma sociedade organizada em hierarquia, capitalista e neoliberal, esta prática é mesquinha. A função da aprendizagem não é ter a escola como um “fábrica fordista de mão de obra”. A escola deveria ser um local atrativo onde fosse dada a oportunidade as populações de se inter-relacionarem com os diferentes conhecimentos humanos e desenvolverem a sensibilidade de cidadão, conhecer seus direitos e deveres e, sobretudo, adquirir um pensamento crítico para exercê-lo em quaisquer esferas sociais que ocupem. Tendo isto em vista, podemos começar nossa reflexão sobre como uma educação popular pode ser útil numa construção e oferecimento de oportunidades e visões diferentes de mundo aos indivíduos das inúmeras populações humanas.

            A educação popular não é algo imposto, obrigatório e maçante. Trata-se de um diálogo que visa a construção dos conhecimentos. É estimulada pelo conceito de afirmação do sujeito e como ele se encaixa dentro de uma sociedade. O saber popular é combustível para a realização de atividades, é a base para o ensino dos conhecimentos das ciências básicas que permeiam a civilização humana. A educação é um ato prático de transformação social e justamente por isso não pode deixar de ser atrativa e não pode ser considerada algo estático e que não gera interesse do povo. Por isso é fundamental o pensamento que os conhecimentos acadêmicos não subjuguem os saberes populares, e sim que estes se complementem na construção de saberes pertinentes às vidas dessas pessoas. 

            Dentro da academia temos o péssimo hábito de nos colocar sobre um pedestal do conhecimento como se nós tivéssemos muito mais importância e uma riqueza que parece que nem mesmo deve ser compartilhada. Isto é desprezível. O conhecimento é um produto humano teoricamente feito para ser difundido, e assim que deveria ser. Da mesma forma que conhecimentos populares ultrapassam as barreiras do tempo e passam de geração para geração, assim deveria ser o conhecimento produzido pela nossa espécie. Sem subjugar aqueles que não têm os títulos acadêmicos, mas que tanto tem a dizer. Tanto tem a ensinar. Um dos maiores objetivos de uma educação popular na contemporaneidade é servir de base para a construção de ideias e a formação de sujeito que possam refletir sobre seus papéis dentro de um contexto social. Isto torna a sociedade mais justa e igualitária, ainda que hierarquizada. Dar aos indivíduos a oportunidade de construir suas visões de mundo com um leque de oportunidades de reflexão não é uma mera questão de bondade e sim de ética. 

            Então como uma educação ultrapassada pode criar um diálogo com uma população? Simplesmente se torna uma tarefa difícil que segue exatamente os interesses daqueles que estão no poder. A invisibilidade social, a opinião massificada sem reflexão e a ideia de que o que você sabe não é o suficiente para lutar por algo são os pilares do controle que manipula nossas vidas. É exatamente nesta situação que a educação popular se torna uma ferramenta de motivação, transformação e reflexão. Ela é fruto de um conjunto histórico de lutas do povo para o próprio povo. É levar em consideração a importância e as diferenças de cada indivíduo e como isso é capaz de produzir conexões humanas essenciais. É neste diálogo que as diferenças se tornam uma força crucial para a transformação social. 

            As diferenças de pensamentos, dentro dos parâmetros que estamos inseridos, nos segregam e nos transformam em seres intolerantes, por diversas formas. Uma delas é até mesmo a escola. A compreensão das diferenças é fundamental para uma educação libertadora. É como o indivíduo pode se tornar consciente de que não é um anônimo e que ele tem importância, e que representa uma parcela de um coletivo de visões, histórias e ideias da transformação e da cultura do país. Por isso, uma educação popular não é uma práxis tradicional, mas uma vivência do saber compartilhado que cria oportunidades da reflexão e ação coletiva. Os saberes populares devem ser tratados com a importância que eles tem servindo de estímulo a uma educação tendo seu papel exercido através da afirmação dos sujeitos e sensibilização de sua importância na sociedade.

            Uma educação popular surge para quebrar as fronteiras entre o conhecimento erudito e o conhecimento popular. Afinal, se todos os conhecimentos são produtos humanos, como discriminá-los e qualificá-los desta forma? Sob a ótica de quem e para que? Esta prática ultrapassa o tradicionalismo, busca o resgate da cidadania e ações para apresentar a percepção da inclusão de ideias e discussão de visões. Isto é um ato de conhecimento que leva a transformação social aos poucos.

Seria possível uma escola pública popular? Bom, uma população que é oprimida diariamente de inúmeras maneiras é estática pela desesperança estrategicamente inserida em nosso cotidiano, ao mesmo tempo da ideia imposta do sujeito anônimo e sem importância. E quem disse que alguém não é importante? Quem poderia dizer algo assim? Uma educação popular, visa a justiça, a igualdade e a formação de indivíduos conscientes de seus papéis, da sua cidadania e nas ações individuais e coletivas de transformação social. Isto não interessa às minorias que detém o poder, mas sim a maioria que acha que não tem o poder. Nenhuma mudança é tão brusca, mas aos poucos é possível. Justamente por isso a educação se apresenta como um ato de transformação social. Se nós, educadores, pensarmos em formar cidadãos e não somente mão de obra e “aprovados no vestibular”, quem sabe isto chegue mais rápido do que esperamos? O primeiro passo para algo assim acontecer é termos consciência de quem somos e do que somos capazes. Desenvolvermos diálogos, discutirmos diferenças de visões e chegarmos a algo mais próximo do igualitário. Isto não significa tirar a importância de minorias oprimidas por razões específicas, mas justamente transformar o povo num grande organismo que pode discutir e decidir o próprio futuro. 

É essencial lembrar para nós mesmos que somos importantes, essenciais e que as nossas vozes podem ser ouvidas. É lembrar aos nossos companheiros de vida, que é possível a transformação para o bem comum. É, por fim, devolver a esperança e o orgulho de ser você mesmo sabendo que você tem o poder da transformação. Essa é a oportunidade dada por uma educação popular.

Renan de França Souza

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Todo dia é um novo dia para lembrar


         Esta parece ser a época em que ao mesmo tempo em que a felicidade aparentemente reina a hipocrisia ganha ainda mais força. Durante o ano inteiro, as pessoas insistem nos seus erros, pré-julgamentos e segregações pontuais, mas nessa época todo mundo é amigo. Amigo? Não, na verdade não. O que acontece é a celebração da nossa falsidade. O erro não é ser uma pessoa “boa” nessa época, mas sim tentar aparentar ser aquilo que não é. E com os erros devemos aprender e não construir mentiras.

            Aproveitando a hipocrisia do final de dezembro, é importante refletir sobre o quanto nossos erros são parte de um ciclo leviano. Compramos bens materiais para mostrar que nos importamos, nos obrigamos a desejar aquilo que não queremos e a celebrar alguma coisa quando não fazemos nenhuma questão. Obviamente, isto não serve para todo mundo, mas muita gente é assim. O que mais chama a minha atenção é a compra de algo material em uma data pontual para mostrar que nos importamos. Mas isso não é um paradoxo? Afinal, para aquelas pessoas que nos importamos devemos presenteá-las com nossa dedicação, carinho e respeito todos os dias, não numa época pontual. Eu compreendo que a cultura que nos foi imposta acaba por criar uma sensação de que é o que devemos fazer. Não que seja errado presentear alguém que gosta, mas será que isso é realmente o suficiente? Nem sempre.

            Devemos tirar essas reflexões como estímulos para sermos pessoas boas, dentro de nossa própria concepção, (que espero estar baseada na ética, respeito e bom convívio, rs) todos os dias. Desejar o melhor pras pessoas por querer que as pessoas tenham o melhor. Oferecer o seu melhor para alguém para que juntos possam se construir. A construção de uma conexão humana é constante, todos os dias dão novas faces aos nossos sentimentos. E sentir é preciso, mas mostrar é essencial. Mostre que se importa, que quer ser feliz e conquistar aquilo que deseja. Dê um “bom-dia” feliz por quer que assim seja a vida daquela pessoa que passou. E se não quer, não seja falso. Não fale, não tente aparentar aquilo que não é. Seja você mesmo o tempo todo sem nenhuma vergonha ou arrependimento.

            Na vida, você pode se arrepender de muitas coisas. Mas nunca vai se arrepender de ser sincero. A sinceridade traz problemas sim. Mas traz a paz interior e isso ninguém pode roubar. E sobretudo, ser sincero  mostrando o que sente e o que quer para as pessoas que te cercam e realmente importam é fundamental.

            Aprende com seus erros, não tenha vergonha de errar. Pegue cada errinho e transforme num pequeno aprendizado. Reflita, aprenda e se construa como um ser humano melhor. E assim, celebre todos os dias com as oportunidades que surgem. E nada melhor do que uma nova oportunidade para se construir e moldar um futuro melhor.

Renan de França Souza

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sobre escolhas, sonhos impostos e a vontade própria


É engraçado o quanto diversas pessoas tentam impor a vontade delas sobre outros seres humanos. Isso acontece em muitas esferas sociais, de diferentes formas, mas neste momento o que quero tratar é sobre estas questões em relação ao ambiente familiar.

Quem nunca teve aquele parente próximo que chega e diz: “Quando você crescer, depois de estudar muito, vai ser médico e ter muito dinheiro”? Bom, não se trata só de Medicina, mas também Engenharias, Direito ou trabalhar na Petrobras, seja lá com que profissão... No fim, o que importa é a visão neoliberal e o dinheiro que você deve ter. É uma cultura lamentável da nossa sociedade capitalista, pois isso acaba limitando muita gente justamente na idade que as pessoas descobrem seus próprios dons.

Geralmente este tipo de situação é recorrente quando se é criança até adolescente, mas também transpassa a vida adulta. É ainda mais presente nos tempos de vestibular. Os familiares mais próximos, amigos da família e pessoas próximas em geral, sempre te colocam, de pouco em pouco, a obrigação de ter um emprego onde você ganhe bem e geralmente seguir uma profissão que tem status na sociedade. Jovens são pura energia, transformam suas visões o tempo todo, é a época de descobrir suas habilidades e o que de fato você gosta de fazer. Infelizmente o modelo de escola que temos hoje não nos permite explorar a nossa capacidade intelectual como um todo e a sociedade nos moldes neoliberais não nos dá muitas chances para seguir as carreiras que desejamos realmente, em geral. Logo, parece que é uma obrigação você com 18 anos ter que escolher a profissão que vai seguir para toda a vida, já planejar todo o seu futuro, passar de primeira no vestibular e, sobretudo ganhar muito dinheiro. Aí você vai dar orgulho pra sua família. O quanto antes tiver status, melhor para todos.

Isso é realmente o correto? Tenho certeza que não. Primeiro muitos jovens demoram a descobrir suas habilidades, seus dons e as carreiras que gostariam realmente de seguir. Isso não necessariamente (e quase nunca, na verdade) acontece aos 18 anos. Porém, há toda uma pressão para que você passe da escola direto pra faculdade. Jovens, não sintam essa pressão toda. É benéfico sim passar direto pra faculdade, principalmente se for um curso que realmente deseja. Mas não se sinta na obrigação de abraçar o mundo antes do tempo certo. Isso é um câncer cultural que obriga as pessoas a tomar decisões que não querem. Se você quer ter mais tempo para decidir o que quer fazer, não tenha medo de ter. Seja sincero e fale com seus pais, não desista da sua própria vontade.

Muita gente que chega ao ensino superior acaba largando por não ser exatamente o que a pessoa queria. Isso acontece muito pelos fatos que citei anteriormente. Claro que há a parcela de pessoas que realmente achavam interessante e na prática acabam por não gostar. Mas sinceramente, acho a menor parte. A maior parte dos abandonos do ensino superior se devem ao fato da pressão absurda de entrar numa universidade antes mesmo de você realmente saber o que quer ou pelo menos ter uma boa ideia. Com essa pressão, você acaba por escolher qualquer coisa ou o menos pior. Não é o sentimento de “ah, essa carreira é muito bacana, é isso que quero fazer”. Antes disso tudo, tem que ser feita muita pesquisa, muita reflexão e realmente pensar de vale a pena.

Pior do que isso é completar um curso apenas para agradar seus pais. Nunca faça isso. Se seu pai quer que você faça Medicina e você quer fazer Geografia, seja forte e escolha o que você realmente quer. Não adianta ser um profissional eternamente insatisfeito com a própria profissão. Esse pensamento é válido para qualquer área. Tenha força de vontade e siga o seu coração, sem medo de errar. Muitas pessoas acabam por te dizer que a profissão x ou y é legal, mas que não vale a pena porque você vai ganhar pouco. Chegamos a um paradoxo. Ganhar muito dinheiro é legal sim, é importante, mas isso substitui o valor e o amor que a pessoa pode dar a uma profissão que ela mesma escolheu? Quer dizer que se a pessoa for um professor e ganhar 1200 reais por mês, mas ser um grande profissional, realizado, trabalhar de forma admirável e honrar com seus compromissos, esse caminho não vale a pena? Vale sim, e muito! Não adianta ganhar um salário alto, agradar a cultura capitalista, e ser um frustrado.

Outro engano também é sobre o salário. Toda profissão tem como você ganhar muito bem. Sim, é mais difícil em algumas, leva mais tempo, mas toda profissão tem seus extremos, tanto para baixo quanto para cima. Ou seja, um médico pode ganhar mal e um músico free-lancer pode ganhar muito bem. Sim, pode. O que define se você vai ganhar bem ou mal, geralmente é a sua dedicação ao que faz. Oportunidades aparecem para quem busca para quem quer sempre melhorar e crescer na sua profissão. Logo, chegamos ao primeiro fato: é mais fácil se dedicar muito e crescer absurdamente numa profissão que goste, seja qual for, do que numa profissão que foi imposta a você. Sim, pode ser que não dê certo, você pode acabar ganhando mal. Mas essa é a vida, ela não é justa mesmo, mas você nunca vai se arrepender de ter feito a escolha errada, e sim orgulho de ter tentado e seguido o caminho que desejou.

Um dos discursos que mais me irrita é o do “mas essa profissão não dá futuro”. Espera aí, como assim não dá futuro? Ah sim, sempre entra a questão do dinheiro. Sempre ele, não é? As pessoas querem te obrigar a ingressar num curso superior para que você tenha mais dinheiro. Isso tem duas vertentes diferentes:

1)      Sim, de uma forma geral, um curso superior te possibilita uma maior chance de ter mais dinheiro. Você pode fazer mais concursos, sua profissão possivelmente será mais bem remunerada e por aí vai.
2)      Por ouro lado, não é regra que você vai ganhar mais. Você pode ser formado em algo e ganhar 1000 reais e uma pessoa com apenas o ensino médio pode ganhar o triplo. Isso não quer dizer nada, só depende você.

O que eu não gosto é a relação de “universidade x dinheiro”. As pessoas deveriam escolher entrar na universidade porque ter mais conhecimento é bom. Deveria ser uma busca pelo conhecimento de alguma área que você admira, para e fazer crescer como cidadão e ser humano e não necessariamente estar ligado ao pensamento capitalista. Infelizmente está, pois vivemos num mundo que tem o capital como foco, mas esse não é escopo de uma escola de pensamentos ou de um ambiente de produção de conhecimento e reflexão constante. Claro que lembrando sempre do panorama da sociedade humana, é possível que alguém que aproveite a universidade da melhor maneira possível, seja um profissional com mais chances de ter dinheiro.

Mas veja bem, isso é que é interessante. Tenha amor pelas ideias, viva pelos seus desejos e pela sede de conhecimento. Busque crescer no curso que escolheu viver e conviver intensamente aquele universo, não buscando exatamente o retorno financeiro, mas o seu crescimento como pessoa. Muito provavelmente se o fizer, também será recompensado com o tal salário alto que todos querem que você tenha. Não faça nada por fazer ou por obrigação, faça por prazer, por vontade... A vida provavelmente te recompensará e sua dedicação e seus sonhos não serão em vão. Mas tenha foco e fé em si mesmo, não se esqueça do seu próprio caminho e das suas metas como pessoa.

Por fim, gostaria de ressaltar algo que realmente me incomoda. Ninguém é obrigado a ter ensino superior. Se você não quer, se não há nenhuma carreira que você realmente goste, não tenha vergonha ou medo de não fazer. Simplesmente não faça. Isso é um direito seu. Sobretudo é uma consideração com a própria sociedade, afinal ocupar uma vaga em uma universidade apenas por que as pessoas te obrigaram a fazer aquele curso, não levar nada a sério e acabar saindo de lá apenas com um diploma sem realmente vivenciar o universo do curso que fez, é melhor não fazer. Se seu dom é ser vendedor, trabalhar em banco, ser padeiro, ator, atriz, músico, artista em geral, gari, motorista, confeiteira, doméstica ou qualquer outra coisa que você realmente goste e não necessite, diretamente, de um curso superior... Seja sem medo. Não tenha vergonha de não cumprir a expectativa de status de terceiros. Não há “sub-empregos”, todos são importantes e a sociedade funciona pois cada um deles tem seu próprio papel. Todos são importantes, absolutamente todos! Não fique com vergonha de ser o que você é, tenha orgulho de gostar de fazer o que faz.

É claro que eu compreendo a necessidade do dinheiro, infelizmente não é possível fazer tudo que quer e viver sem ele. Mas busque algo que realmente você queira fazer, um papel que definitivamente queira desempenhar. Não foque apenas o lado financeiro, reflita sempre sobre a sua própria vontade e seus sonhos.

Não viva a vida que os outros querem que você viva. Seja você, por você. E orgulhe-se de saber que escolheu seu próprio caminho e se dedicará seja lá com o que for, seguindo com sorriso no rosto por não ter a vergonha de buscar a sua própria felicidade, sem estereótipos sociais, idolatria do status e busca doentia pelo dinheiro. Viva e se permita viver de verdade.



Este texto foi escrito após uma reflexão sobre alguns dos grandes problemas da sociedade, numa madrugada quente na primavera.



Renan de França Souza

sábado, 5 de maio de 2012

O funeral das memórias e a história dos erros


A nova tendência das velhas gerações é estereotipar e rotular as novas gerações. Dizem que a juventude está perdida e que não há esperanças para um bom futuro. Mas de quem é a culpa, afinal?

            De fato, uma boa parte dos jovens poderia ser considerada “sem rumo” por uma parte da sociedade. Sob os olhos tradicionais, a minoria estaria no famoso “caminho certo”. Mas que caminho certo é este? Esses discursos são tão subjetivos e ao mesmo tempo, muito patéticos. Estudar é fundamental, e disso ninguém duvida, mas ninguém é obrigado a cursar o ensino superior, por exemplo, para estar no “caminho certo”. Há uma diversidade muito grande de ocupações dentro da sociedade que não necessitam realmente de alguma graduação. E nem mesmo uma graduação é certeza de ganhar dinheiro, e ultimamente, nem mesmo com muitas pós-graduações. Logo, o caminho certo que dizem não é o conhecimento, como seria o ideal, e sim ter dinheiro, uma situação financeira, no mínimo, tranquila. Porém, não é necessário um ensino superior para isso, por exemplo. Esta é a primeira contradição desses discursos hipócritas.

            As pessoas mais velhas tem a mania de querer estereotipar as pessoas mais jovens. Os discursos tradicionais estão muito presentes na nossa rotina e condenam muitas coisas apenas pela aparência. Uma grande quantidade de pessoas mais velhas discriminam aquelas pessoas que tem tatuagem, que são músicos ou mesmo que simplesmente resolveram trabalhar ao invés de tentar um vestibular. Dizem que a juventude está perdida, que não há esperanças para um bom futuro se depositarmos esta responsabilidade nos jovens da atualidade.

Mas esperem um pouco, qual é o cenário que temos atualmente? Uma sociedade completamente desigual, que precariza as classes mais pobres e que é extremamente hipócrita, não é mesmo? E o jovem está incluso neste contexto, certo? Bom, então vamos lá... o panorama social de hoje em dia, que não é nem de longe o ideal, não foi construído pelos jovens atuais mas sim pelos jovens do passado. Pois é, e quem são os jovens do passado? Exatamente a mesma geração que deposita a culpa de um futuro obscuro nos jovens de hoje em dia! É muito mais fácil colocar a culpa nos outros do que assumir sua responsabilidade nos erros. É claro que muitos não tiverem culpa direta, mas muitas vezes, a omissão é a pior atitude (ou falta de atitude) que pode ser tomada.

Não estou dizendo com isso que os jovens são vítimas e não tem culpa dos seus atos. Não, não é isso. Todo mundo faz escolhas, e a maioria das pessoas tem a noção de quais consequências isso irá trazer. Eu não acredito em desculpas pífias. É fato que muitas pessoas optam por continuar reproduzindo papéis sociais vigentes controlados pela minoria que rege a nossa vida. Sim, optam mesmo, até sem perceber verdadeiramente. É muito mais fácil se alimentar de populismo do que querer ter uma reação diferente frente aos problemas e abusos, como por exemplo, do governo. Isto não é uma cobrança para abraçar o mundo e simplesmente lutar por tudo ao mesmo tempo, mas pelo menos se focar em algo para mudar o panorama atual. Mas é mais cômodo se entorpecer com o que os que nos controlam nos oferecem.

De fato, há na juventude diversos erros. Porém, também houve no passado, com outros jovens que hoje criticam o modo de vida dos atuais, esquecendo-se do que fizeram, ou pior, do que não fizeram no passado. E sempre voltam com o discurso de “eu quero te dar tudo o que não tive”. O que não teve ou o que não se dedicou para ter? Há, também, uma boa parte dos jovens que estudam e batalham todos os dias para terem melhores condições de vida, seguem uma linha honesta e crítica e que também são estereotipados e rotulados como se não tivessem nenhuma importância. Não vejo justiça nisso.

Então, antes de criticar é sempre bom pensar nos seus próprios atos. E isso serve tanto para as gerações anteriores quanto para as atuais. E estereótipos e rótulos não são boas maneiras de estimular as novas gerações a mudarem alguma coisa. E lembre-se sempre, o futuro é construído por todos, aqueles que começaram a vida agora e por aqueles que deixaram como herança o atual cenário de precarização do ser humano na sociedade brasileira. Será que culpabilizar os outros vai continuar sendo a maior lição que a maioria das pessoas de outras gerações vão nos deixar? Espero que não.


           
Este texto foi escrito por um jovem que busca um futuro melhor e que nenhum rótulo pode defini-lo.



Renan de França Souza

sábado, 28 de abril de 2012

Não há limites para quem escolhe acreditar


As fronteiras do mundo não são o suficiente para quem sabe que todo lugar tem a sua importância. Não há limites para quem busca se superar. Todo lugar é seu, e você também não é de lugar nenhum.

O sentimento de ser o cidadão do mundo, ao mesmo tempo em que é libertador, também traz suas desvantagens. A maior desvantagem é não ter aquela identificação com um local específico, onde se sente seguro e feliz, o que é ótimo para muitas pessoas. Porém, também é vantajoso ter esta sensação em diversos lugares. Nada melhor do que se sentir parte do todo, e saber que você não é o mundo todo, mas que pode fazer parte dele de forma fundamental! Suas ações ditam muitas coisas.

Conhecer muitos lugares, conviver com diferentes culturas e sentir novas visões de mundo é desvendar e crescer como novos desafios. Não há nada como expandir sua mente e crescer convivendo com diferentes visões e ideias. Isto é fundamental para todos aqueles seres humanos que desejam ter conhecimento. Claro, que muitas vezes não é possível, mas se for, aproveite e aprenda bastante. Não precisa conhecer os maiores intelectuais do mundo para aprender, mas sim pessoas comuns, que muitas vezes nem mesmo sabem ler e escrever. A simplicidade e a experiência de vida das pessoas é, talvez, a maior dádiva com a qual podemos aprender.

Muitos confundem o que é cultura. Não há cultura boa ou ruim, mas sim diferentes formas de ver o mundo. A nossa hipocrisia e preconceito nos limita e entramos numa prisão social absurda. Respeito é sempre fundamental, e sempre há muito que aprender com quem vive de forma diferente. As diferenças que constroem o todo, nossas diferentes visões são essenciais para a construção do futuro. Não há como viver discriminando as pessoas, subdividindo populações humanas e as excluindo de contextos sociais importantes. Todos nós somos partes cruciais para que as coisas possam funcionar de maneira satisfatória.

Mas espera aí, eu estava falando da sensação de ser um cidadão do mundo, não é? Apesar de parecer desconexo, não é. Essa sensação traz consigo este pensamento também. Se, de fato, sou um cidadão do mundo, uma parte importante do todo, como posso discriminar as pessoas? Cada um tem sua importância e muito a que nos ensinar. Aprender não necessariamente está ligado a “títulos”. Moradores do interior de Minas Gerais e Tocantins, sem estudo nenhum, já me ensinaram mais do que muitos dos meus professores e seus egos inflados com seus títulos de “doutor” em alguma coisa. Aliás, ego inflado é para aqueles que, de fato, não tem o que oferecer, e precisam se auto-afirmar para aparecer.

Para muitas pessoas não existe um lugar, fisicamente falando, que realmente seja o “meu lugar”. Mas em relação aos sentimentos, podem existir muitos lugares aonde pertence. Principalmente nos braços daqueles que ama. Não há nenhum lugar tão bom quanto os braços de alguém que você ama, disso não tenho dúvidas. Talvez, isso seja universal mesmo.

Sou parte viva e pulsante deste mundo. Á ele sou grato, pelos ensinamentos, sonhos e força para ser parte importante dele. Este é o meu mundo, nele cresci, nele sou feliz e tento, todos os dias, poder fazer dele um lugar melhor. Para que ter um local pequeno para chamar de “casa” quando posso me sentir bem em qualquer lugar deste mundo? Sempre sem esquecer da onde vim, quem sou e das minhas origens.

O mundo é muito grande, mas não há nada que não possa ser alcançado. Com dedicação, nada é impossível. Basta acreditar e ter fé em si mesmo, assim você ultrapassa qualquer fronteira e supera qualquer limite.

Liberte-se, você é parte do todo, e o todo é seu também! O mundo é a sua casa, seja feliz em qualquer lugar, felicidade não tem barreiras!


           
Este texto foi escrito num pequeno local neste grande universo. Mas seus sentimentos e ideias estão em todo lugar, afinal, essa é a graça da vida: poder sentir, viver e ser quem você é, sem limites e sem fronteiras.



Renan de França Souza

sábado, 17 de dezembro de 2011

O último fôlego da esperança e a valsa da destruição


            Bem-vindo, caro cidadão! Dê-me as suas mãos e vamos juntos, dançar e comemorar o progresso a qualquer custo e o benefício da minoria que move nossas vontades!

            Talvez seja claro para uma parte da população, mas para muitos não é. Nós somos regidos por poderes maiores, e não estou falando de divindades. Pelo menos não espiritualmente. A vontade dos nossos controladores dita o nosso futuro, individualmente e coletivamente, e nos levam ao colapso do nosso sistema de pensamento, essa é a verdade. Nestes moldes, não podemos pensar e se podemos, somos convencidos com o passar do tempo a não agir.

            O atual governo do Brasil visa o progresso a qualquer custo, isto já é uma tendência há alguns anos, mas nunca tendo sido posta em prática da maneira alarmante de agora. A destruição da nossa biodiversidade é o maior exemplo disso. O número de eventos catastróficos, em termos ambientais, realizados pelos nossos “donos” é cada vez maior, pior e nos deixa com uma péssima perspectiva para o nosso próprio futuro. O velho mundo seguiu este mesmo caminho, há muitos e muitos anos atrás e hoje, muitos percebem o erro que cometeram. Diversos países são obrigados a buscar recursos naturais de ouras nações pela destruição de outrora, ou mesmo aqueles que não buscam, perderam infinitas possibilidades de poderem possuir uma alta diversidade de recursos.

            Este não é mais um texto eco-chato, nem mesmo daqueles “estereótipos verdes” de quem quer aparentar saber e mesmo assim não fala absolutamente nada de relevante. Não é preciso mostrar dados brutos, é só acompanhar as intervenções do Estado. Conservação da biodiversidade é essencial. Mas e o que diabos isto tem a ver com todos nós?

            Tudo! E não poderia ter mais a ver. Basicamente todos os problemas sócio-econômicos provêm do uso errôneo dos recursos naturais, seja por superexploração, destruição sem sentido, ações mitigadoras pífias e por aí vai. Logo, se não conservarmos, o que teremos para o amanhã? Provavelmente apenas a saudade das oportunidades que temos hoje. Ou será que já não as temos mais?

            Precisamos utilizar estes recursos, porém precisamos também pesquisar e evitar ao máximo o uso indevido dos mesmos. E pergunto à vocês: isto será uma atitude que virá daqueles que nos controlam e ganham dinheiro com isso? Eu acho que não.

            Tem que partir de nós mesmos, afinal seremos os mais afetados. Conservar não é pensar só em bicho, planta e o quanto isto tudo é bonito. Também devemos ter certa visão antropocentrista, afinal, precisamos persistir, resistir e transformar nossos pensamentos e conseqüentemente as nossas realidades. O progresso é necessário, precisamos crescer enquanto nação, mas com atitudes corretas, na medida certa, sendo um exemplo de saber fazer hoje, sem se arrepender amanhã. Podemos fazê-lo, depende apenas de nós mesmos.

Ainda há esperança, é claro. E nada muda de um dia para o outro. Então, pensando na biodiversidade, pensando em nós e nas possibilidades de um futuro melhor, vamos tentar ter atitudes realmente úteis para o nosso futuro. Plantar eucalipto, ao mesmo tempo que se chama de “ambientalista” apenas por que quer salvar as baleias não conta.

Este texto foi escrito baseado na visão de alguns, na percepção da minoria e na esperança de todos, até dos que sabem ou não querem saber e sentem isso sem nem mesmo se dar conta.
Renan de França Souza

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A crítica da morte anunciada e o início de um novo fim do mundo

    Sempre estamos perto de um novo fim do mundo. Antigamente morreríamos queimados, pois havia inúmeros buracos na camada de ozônio, outrora a chuva ácida iria nos corroer até sumirmos e hoje em dia tudo entrará em colapso por causa do aquecimento global. Não, estas não são mentiras, mas não correspondem ao apocalipse que pensamos em tão pouco tempo.
   
    Nas últimas décadas sempre estivemos com medo dos desastres ambientais que nos levariam ao fim e pouco fizemos, enquanto espécie humana, para mudar este quadro. Muitos dos “fins do mundo” que foram ditos correspondem a uma realidade sim, que num futuro distante pode ser crucial no nosso desaparecimento. Porém, temos que ser mais críticos ao ouvir estas questões. Não vamos simplesmente desaparecer de uma hora para outra, se um dia acontecer, nossa extinção será gradual e estaremos conscientes disso. Extinções dificilmente ocorrem num curto período de tempo, muito menos de uma noite para outra.
   
    Quanto ao novo fim do mundo, o famoso “aquecimento global”, ele não é uma mentira, porém também não é uma verdade por completo. O que nós temos hoje num quadro climático global são desordens climáticas e isto não é exatamente o que pensamos. O planeta inteiro não está aquecendo. Enquanto algumas partes aquecem, outras estão ficando mais frias, por exemplo. Isto é benéfico? Não! Mas nossos pensamentos de como as coisas vão ocorrer e no tempo que vão acontecer não está correto.
   
    Há derretimento do gelo dos pólos, porém isto não nos levará a um afogamento mundial. Os oceanos não vão tomar todos os continentes. Enquanto o oceano inundar uma parte do continente, outra poderá ter mais área de terra, pois o peso absurdo exercido de um lado da placa continental poderá fazer com que a outra aumente seu nível, fazendo com que o mar retroceda e não avance.
   
    As mudanças climáticas globais não levarão todas as espécies do planeta a extinção, isto beira ao impossível, se não o for. É surreal pensar que depois de diversos eventos apocalípticos do processo evolutivo, agora teríamos um desastre tão grande que simplesmente levariam seres muito diferentes, ocupando ambientes distintos, resolvendo seus problemas de formas diferentes, com diversas histórias evolutivas a um mesmo processo que os levariam ao fim. Há espécies, que inclusive, podem ser beneficiadas por isso, assim como muitas espécies plásticas e generalistas que se dão bem em uma área de fragmentação florestal.

    Então o “apocalipse” existe sim, porém não é como pensamos. Empresas, pessoas, emissoras de televisão, entre outros, se aproveitam do “marketing verde” para vender, para estimular mais consumo e não ajudam na diminuição dos nossos impactos ao planeta com nossa superpopulação. E nos fazem acreditar que ações verdes nos levarão a uma solução quase divina, a sustentabilidade. Este mito nos cega, nos faz acreditar que um dia não causaremos nenhum impacto neste planeta e nos leva a comprar embalagens de plástico, produtos desnecessários e quaisquer outras coisas que de sustentável não tem absolutamente nada.
   
    O primeiro passo para mudarmos este quadro preocupante do nosso planeta é olharmos para nós mesmos e repensarmos nossas ações. E não só como pensamos da maneira clássica, mas sim exercendo nosso olhar crítico para as coisas. O fim pode estar próximo, mas ficará cada vez mais se não enxergarmos além do que nos querem fazer acreditar, talvez isto seja o que nos vai levar a extinção.


Sugiro a leitura dos seguintes textos:

Peres et al, 2003.Demographic threats to the sustainability of Brazil Nut Exploitation (Science 302, 2112) e

o capítulo “From Wildlands to Wasteland: Land Use and the Mirage of Sustainable Development” do livro Requiem for Nature.


                                                                                                         Renan de França Souza

sábado, 25 de junho de 2011

O teatro da autoafirmação do ser humano desprezível

            Todos nós podemos conquistar nossos objetivos. Ou melhor, quase todos, nem sempre o que desejamos realmente está ao nosso alcance, mas a fé que você tem em si mesmo para conseguir e a dedicação que possui são fundamentais para qualquer coisa na vida. Se dedicar completamente, ao amor, à vida, aos seus desejos, é o diferencial que levará você a vencer ou não em muitos pontos. Isto não apaga a possibilidade da derrota, mas mesmo que não consiga, sempre saberá que se dedicou ao máximo para conseguir.
            Porém, muitas pessoas não se dedicam, não têm fé e por melhor que sejam em determinados aspectos, não conseguem aquilo que querem. Não por não ter capacidade, mas por não ter fé em si mesmas. E isto, amigos, é um erro. E a partir do momento em que você perde a fé em si mesmo, você abre a entrada para sentimentos que podem te moldar de uma forma terrível. Algumas pessoas já são assim e outras são moldadas durante suas histórias de vida.
            Nada mais lamentável do que saber que certos seres humanos precisam humilhar os outros para se sentirem bons em algo. Ou mesmo, sentirem que tem poder em algum momento. Já falei disso com os meus amigos, só que dando o nome de “política de autoafirmação do cientista mediano” e focando nos cientistas que precisam disto para aparecem e se destacarem de alguma forma dentro da sua área de estudo. Entretanto, esta forma de viver existe em qualquer esfera social, infelizmente.
            Entendo e não entendo. Entendo que por falta de fé em si, algumas pessoas estejam aptas a fazer isso, mas não quer dizer que todas as pessoas façam isso. Não é uma regra universal e nem as causas são iguais para todos. Falo do que vejo no meu mundo, nos olhos daqueles que conheço, e na alma daqueles que um dia tive fé que poderiam se reencontrar. Mas não entendo, pois não vejo lógica real nisto. Isto é uma conseqüência triste dos fatos que citei.
            Todo dia vemos pessoas tentando serem superiores as outras, tentando se autoafirmar através destes atos desprezíveis, assumindo um ser humano personagem, digno de um teatro de pena. Geralmente, essas pessoas fazem isto com aqueles que, na sua visão, tem “subempregos”. São faxineiros, vendedores, porteiros, lixeiros, domésticas, trocadores e por aí vai. Mas há lógica em tratá-los com menos importância? Sim, só se você for uma pessoa assim. Caso não, concordem comigo, que a nossa vida caminha também pelos atos dessas pessoas. Precisamos delas como elas precisam de nós e não há alguém menos importante ou alguém mais importante. Temos importância igual dentro de nossas vidas, dentro de nossa sociedade. A diferença é que assumimos papéis sociais diferentes mas cada um é essencial na vida. Assim como cada papel é essencial numa peça, mesmo que você o julgue menos importante por não aparecer tanto.
            Então, custa dizer “bom-dia”, “obrigado” e outras palavras que possam demonstrar o seu agradecimento por aquelas pessoas desempenharem seus papéis e proporcionarem a você, a possibilidade de desempenhar o seu? Não! Seja grato, olhe em volta e não acabe tendo que se autoafirmar por perder a fé em si mesmo.
            Mesmo que tentem de convencer do contrário, não deixe. Somos todos importantes e essenciais para o próximo, nunca deixe de acordar e agradecer pela oportunidade de saber que você faz parte de um todo, que em sua maioria, desempenha seu papel e te dá a oportunidade de também ser importante. Claro, nem todos são felizes com isso? Não, mas isso não quer dizer que você não possa estar feliz por desempenhar o seu.
Há papéis sociais de mais destaque. Este é o molde que vivemos, mas não precisamos acreditar nisso. O fato de atribuir importância social é muito mais importante do que qualquer outra recompensa, tenho certeza. A falta de fé que o contrário disto causa é um dos venenos da nossa sociedade.

Você é importante, tanto quanto os outros. Não seja mais um teatro ambulante.


Este texto foi elaborado vendo atos de pessoas que não merecem nada mais que pena. Porém, agradeço, pois da mesma forma que a esperança me inspira, estes atos me dão força para continuar lutando pelos meus objetivos e vendo a importância de cada pessoa que me cerca.


Renan de França Souza